Conservadorismo
09/01/2012
Toda a verdade é conservadora, tanto a verdade loca, quanto a verdade careta. Mas essa não é também uma proposição de verdade? Uma remissão ao infinito? Um regresso? Um retorno? Eterno retorno? Não há resposta possível. Toda resposta é parcial, inclusive esta. A pergunta é pela causa. Por que? Por que essa alegria? Por que esse sofrimento? Por que esse repouso? Por que essa tensão? Por que essa indiferença? Por que essa paixão? E todas as respostas são parciais: valem e não valem; bastam e não bastam. A causa do desejo é uma virtude e um vício (um arranjo de virtudes e vícios), e mesmo isso é parcial.
“Amor é aquilo que faz o gozo condescender ao desejo.” O desejo tem sempre qualquer coisa de fetichismo, de parcialidade, de vício: sua condição sine qua non. Mas amor e desejo são cúmplices na trama que envia o gozo. Fica difícil pensar em temporalidade; em “causa e efeito”. Qual a ordem, se há alguma, na relação entre a condição, o desejo e o amor? Parece que eles se dão no instante. Não há causa e efeito. Há somente o acontecimento. No encontro com a condição do desejo, o gozo aceita condicionar-se, e isso chamamos amor. Então amor é efeito? Mas pode haver efeito sem causa? Vale a pergunta por essa causa? Vale a pergunta por essa razão? Talvez valha, desde que se saiba que a resposta sempre será insuficiente e ambígua. A razão suficiente revela a insuficiência da resposta, que sempre remeterá a um além, a um super, a um sobredeterminado.
Arriscar uma resposta definitiva vale pelo risco, que implica não saber.
Propor uma verdade incerta: o que não é conservador é ambíguo.
Páthos da distância
29/11/2011
Me irritam os garçons subservientes da pizzaria pastiche. Ficaria mais à vontade se eles não disfarçassem o ódio de classe, supondo que alguma parte da dignidade deles está preservada.
Gerundismo
25/10/2011
E se a irritação com o gerundismo tiver como “causa” a revelação da fragilidade do “eu sou”, e o desvelamento da tragicidade do “estou sendo”? Poder suportar o gerúndio!
Diagnóstico
04/10/2011
“341. O maior dos pesos. – E se um dia, ou uma noite, um demônio aparecesse furtivamente em sua mais desolada solidão e dissesse: ‘Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada suspiro e pensamento, e tudo o que é inefavelmente grande e pequeno em sua vida, terão de lhe suceder novamente, tudo na mesma sequência e ordem — e assim também essa aranha e esse luar entre as árvores, e também este instante e eu mesmo. A perene ampulheta do existir será sempre virada novamente — e você com ela, partícula de poeira!’ — Você não se prostraria e rangeria os dentes e amaldiçoaria o demônio que assim falou? Ou você já experimentou um instante imenso, no qual lhe responderia: ‘Você é um deus e jamais ouvi coisa tão divina!’ Se esse pensamento tomasse conta de você, tal como você é, ele o transformaria e o esmagaria talvez; a questão em tudo e em cada coisa, ‘Você quer isso mais uma vez e por incontáveis vezes?’, pesaria sobre os seus atos como o maior dos pesos! Ou o quanto você teria de estar bem consigo mesmo e com a vida, para não desejar nada além dessa última, eterna confirmação e chancela?”
Ah, Filósofo … como ler os teus enigmas de pré-socrático? Ou seria melhor dizer, de anti-socrático? Ou, melhor ainda, de não-Sócrates? Mas você jamais se deixaria circunscrever pela negatividade! “Dionisíaco”, então!
E se todo o seu texto for travessura de Dioniso? Será que o teu bigode cobre um sorriso maldoso? Maldoso da maldade de imaginar os teus leitores se contorcendo para entender perguntas insuportáveis. Mas, faz diferença que o Eterno Retorno seja tomado como um interpretação metafísica, ou como um jogo provocativo? De qualquer maneira, o que importa é dizer como recebemos o teu δαιμων: essa resposta revela a medida da nossa saúde.
Justine e Claire
23/08/2011
Irmãs … posições diversas em relação ao homem. E os homens da festa são incapazes. Justine denuncia essa incapacidade. A beleza incomum, a suavidade dos gestos, a delicadeza da postura, da voz, do sorriso, não deixam passar o ódio e a loucura de bacante. De quem seria capaz de copular por horas e devorar animais vivos. Capaz de espetar a cabeça do próprio filho na ponta do tirso tomada pela excitação dionisíaca. E o moleque não saca nada disso. Pensa que tiveram “bom sexo”. Ela estava só, e ele nem se deu conta. Nenhum d’eles dá conta. Então, não há relação sexual, como constatou o psicanalista francês. E o patrão não saca nada; o cientista não saca nada; o noivo não saca nada (o pai parece sacar, mas está distraído, ocupado com suas bêtes; ou ocupado, distraído com suas bêtes). O noivo tenta. Tenta um discurso, e tudo o que ele não deveria tentar, era o discurso … Ela demanda a permanência do pai, mas este fôra destituído fazia tempo … arrumou uma carona no momento em que ela parecia disposta a depor as armas, o ódio, o cinismo de bela alma. “Quase!”, pensou o expectador. Mas, não foi quase!. Não seria.
Claire quer acreditar no homem, mas se Ela não existe, por que ele existiria? Claire precisa convencer Justine de que ele sabe, e de que ele pode. E ele não quer ser denunciado e destituído. Ele precisa que Justine seja feliz. Claire não consegue nem mesmo convencer a si mesma, mas insiste.
O menino dorme …
Ninguém se salva.
O gozo de banhar-se na luz triste do planeta trágico: melancolia como fim do mundo, pensaram o psicanalista vienense e o cineasta dinamarquês.
Ninguém se salva, e o menino dorme.
Olhos bem fechados.
Especificidade
18/07/2011
Sexo e significantes: é disso que se trata. Perder isso de vista é abrir mão da psicanálise.
Leitura de férias
07/07/2011
Férias são sempre boas para tirar os livros de literatura da estante. Desta vez, parece, não haverá tempo para isso. Não serão propriamente férias: o trabalho com Freud e Husserl no próximo semestre demanda que se adiante a leitura desses autores.
Mas, tirei da estante a “Minima Moralia” para ler esses dias, antes de passar na biblioteca para pegar a ” Crise das Ciências Européias e a Fenomenologia Transcendental”. O texto do Adorno é bonito, e os aforismos têm essa velocidade que cativa. Esse jeito de rajada. Cheguei na terceira parte, onde estão os aforismos escritos em 1946-1947. Ele começa tratando do tempo e, depois, do amor, sempre apresentando contradições que não se resolvem, afinal, tratam-se de reflexões sobre a vida lesada, ou mutilada (beschädigten). E aí, deparo com isso:
“A cigana que lê a sorte, admitida pela porta da frente, libera-se na senhora visitante e se transfigura no anjo salvador. Ela escapa da felicidade da aproximação mais íntima ao enlaçá-lo ao mais distante. É isso que espera a inteira existência da criança, e assim ainda deverá esperar mais tarde aquele que não tenha esquecido o melhor da infância. O amor conta as horas até aquela em que a visita transpõe a soleira e recompõe a vida desbotada num imperceptível: ‘Aqui estou de volta, vinda do vasto mundo’.”
O título do aforismo é Heliótropo. Provavelmente uma referência ao heliotropismo, ao movimento de algumas plantas em direção ao sol.
No aforismo anterior (Desmancha-Prazeres) ele tratou do tédio, da claustrofobia das relações amorosas burguesas:
“A sentença de que todo o animal é triste post-coitum deriva do desprezo burguês pela humanidade: em nenhum outro ponto o humano se diferencia tanto da melancolia da criatura. Não é ao êxtase, mas ao amor socialmente sancionado que se segue o nojo; ele é, nas palavras de Ibsen, pegajoso. Para quem está eroticamente absorvido o cansaço se converte em pedido de carinho, e a impossibilidade momentânea do sexo é compreendida como acidental e inteiramente alheia à paixão. Não é casual que Baudelaire tenha associado paixão erótica cativa e fulguração do espírito, e tenha pronunciado igualmente imortais o beijo, o aroma, a fala.”
Mas a claustrofobia é mais sufocante em “Tocante Fidelidade”:
“No momento em que opera o desencantamento do homem, cujo poder se estriba no ganhar dinheiro arvorado em estatuto humano, a mulher exprime a verdade sobre o casamento no qual busca sua verdade inteira. Nenhuma emancipação sem a da sociedade.”
Haverá um sol para orientar nossos movimentos na direção do vasto mundo, para além do familiarismo avarento?
Ainda que não haja tal sol, precisarei de óculos escuros para suportar a claridade dolorosa das páginas deste livro.
Profundo
27/06/2011
Preciso me distinguir dos cultuadores da “profundidade”. Dos cultuadores da falta e da miséria humana. Onde eles percebem indigência, quero perceber condição de exuberância. Condição de erotismo e música.
Nosso estatuto de dobras na carne do mundo é paradoxal: dobra que marca continuidade e descontinuidade nessa carne (penso um pouco com Bataille e um pouco com Merleau-Ponty). O fato é que somos a descontinuidade que anela pelo contínuo, isto é, somos indivíduos que sofrem a nostalgia de uma ligação fusional com o mundo. É este anelo que, para Bataille, anima nossas buscas eróticas, cuja expectativa é encontrar no outro um apaziguamento da tensão entre continuidade e descontinuidade, entre vida e morte, se pensarmos a vida como perseverança na individuação, e a morte como a dissolução do indivíduo que volta a se confundir com o todo. Bataille lembra que não é à toa que os franceses chamam o orgasmo de “pequena morte”.
Concedo que a situação é paradoxal, mas não consigo percebê-la como miserável. Isso é do gosto dos platônicos. Não se trata nem de miséria, nem de abundância. A carne está dada, e pronto. É preciso saber servir-se do princípio de individuação, e então podemos começar a pensar em riqueza. Então podemos começar a pensar no excesso que produz erotismo e música. De fato, podemos constatar o erotismo e a música. O culto à falta e à miséria é uma espécie de despudor e, muitas vezes, esse cultores são tomados como “profundos”. Os adolescentes ficam impressionados, mas aí não há nada demais.
No entanto, algumas dobras podem ser mais “profundas” do que outras. De fato, não se trata de profundidade: elas parecem mais profundas simplesmente porque nelas existe uma superfície de contato maior, da carne do mundo com ela mesma. Essa profundidade é, realmente, maior superficialidade.
O insuportável e o pálido
05/05/2011
Nietzsche parece ser insuportável para nossa sensibilidade. Ao menos para as sensibilidades daqueles que ainda são tocados pela liberdade, igualdade e fraternidade da revolução. Talvez seja possível preservar a fraternidade a partir das idéias de Nietzsche, mas, a partir do percurso que fiz até agora pela obra do filósofo, é muito difícil preservar a liberdade e a igualdade.
E o que fazer agora que fomos seduzidos pela beleza de seus escritos? Pela agudeza de sua argumentação? Pela pertinência de suas idéias?
É bom lembrar que Nietzsche não formulou uma teoria do Estado. Ele não foi propriamente um pensador político. No mais das vezes declarou-se psicólogo. Talvez seja possível, a partir dessa psicologia, apreender uma racionalidade que possa servir de paramêtro para crítica de qualquer teoria do Estado: o Estado proposto é condição para afirmação da vontade de poder, ou é uma construção do ressentimento, negadora da vontade? Ele é parte de uma cultura exuberante, ou de uma cultura acanhada?
Mas, o que é uma cultura exuberante? Ora, e aí vem a parte dura: uma cultura onde os melhores possam ser melhores. Isso não quer dizer que a neoliberalidade toda possa regozijar-se e exaltar-se por ter encontrado o seu filósofo! Não! Esse nosso capitalismo está fundamentado em uma cultura do medo. Não tem exuberância. É feio! É fraco!Talvez caiba sobre ele o comentário de Nietzsche sobre a satisfação secreta do filósofo na Grécia antiga: este sabia que havia muito mais escravos do que parecia haver. Os “melhores” do nosso tempo não são os melhores da história, assim como alguns dos “melhores” da aristocracia grega. Piores ainda são os “melhoradores”, esses perpetuadores do ressentimento. E há quem faça malabarismos incríveis com os aforismos de Nietzsche para fazer a pregação de um mundo melhor. Um mundo “pata todos”, emancipado da condição culpada e ressentida. O difícil é encontrar este “para todos” em Nietzsche … Abunda o “para alguns”, e isso dói. Isso traz dúvida. Afinal, qual o lugar de cada um de nós no eterno retorno? E se eu for um escravo, condenado à posição ressentida? Isso, é a ação que revela (de fato, não é nem pertinente dizer “Eu sou” com Nietzsche: deve-se dizer apenas “É”. Só o verbo importa, só a ação importa. “Eu” é ilusão gramatical). Nesse movimento fica cancelado até mesmo um ideal para o Eu.
Mas há quem queira melhorar o mundo a partir do legado de Nietzsche, esquecendo os aforismos sobre os “melhoradores” da humanidade publicados no “Crepúsculo dos Ídolos”. Chegam a evocar o “Criminoso Pálido” de “Assim Falou Zaratustra” para encontrar em Raskolnikov alguma potência de superação da culpa. Ora, isso só é possível se desconsiderarmos a leitura tanto de “Crime e Castigo”, quanto da “Genealogia da Moral“. Raskolnikov não pode ser um herói! O que há de heróico no assassinato da velha agiota e da sobrinha abobada?!? O que há de nobre nessa ação?!? O que há de superação da culpa no ajoelhar-se em público e clamar plo perdão divino?!? A palidez desse criminoso aparece quando o comparamos ao criminoso da “Genealogia da Moral”, que não se arrepende de seu crime, mas apenas de ter sido pego. Aparece na incapacidade de assumir a vontade de sangue, a “sede pela alegria da faca”; na necessidade de justificar o assassinato pelo roubo; na comparação com os detentos da Casa dos Mortos.. O criminoso palido é o “inimigo”, “inválido” e “tolo”, nas palavras de Zaratustra. Não parece que ele seja passagem para a nova sensibilidade do Além-do-homem. Seu crime é vulgar. É trivial.
Não parece boa a estratégia de comparar o criminoso pálido ao delinquente por sentimento de culpa de Freud, para encontrar no primeiro algum potencial disruptivo de um enodamento civilizatório amarrado pela culpa. O crime de Raskolnikov não é motivado por sentimento de culpa. Parece que é motivado por um delírio de presunção A tentativa besta de igualar-se aos “extraordiunários” da história. Raskolnikov era um “ordinário”. de acordo com a classificação proposta pro ele mesmo. É cúmplice da velha usurária na manutenção da ordem do “Último Homem”: a ordem do conforto anestesiado e das perversõezinhas cotidianas; a ordem dos atiradores de Columbine, ou do atirador de Realengo.
Por que essa aproximação de Nietzsche e Freud?!? Para propor a psicanálise como via de passagem para o Além-do-Homem?
Aparece aí a palidez de uma certa leitura da obra de Nietzsche.
Zaratustra declara que o Além-do-Homem não é uma nova razão, mas umanova sensibilidade, e isso pode ser uma boa meta para orientação de uma análise. Mas essa leitura que faz da culpa o combustível de alguma ruptura, e a transformação da culpa em responsabilidade como desiderato de um final de análise, fica aquém dessa nova sensibilidade, da qual não podemos dizer nada, porque é nova, ao menos para aqueles que procuram a nós, analistas, em nossos consultórios. Eles não estão em busca de um sistema filosófico, ou de um novo ordenamento moral, ou de esclarecimento, mas de uma nova sensibilidade.
Semblante
14/02/2011
Para aqueles que falam português do Brasil, e para aqueles que falam inglês americano, existe uma homonímia que permite um vislumbre daquilo que Lacan chamou “gozo fálico”, e também daquilo que ele chamou “outro gozo”. O significante “gozo” (cum em inglês) pode significar tanto a substância ejaculada, quanto o orgasmo. A substância ejaculada pode assumir então a função de prova do orgasmo: prova de que deu-se gozo.
As ditas “mulheres” não contam com isso, e a ciência tenta encontrar um equivalente nas alterações fisiológicas que acompanhariam o orgasmo da mulher: enrubescimento da face, intumescência dos mamilos, contrações dos músculos que circunscrevem a vagina.
O problema aí é o velho prejuízo de causa e efeito, que ainda orienta a pesquisa científica e o senso comum. Pode-se pensar que as alterações fisiológicas não são efeito do gozo, e não são o gozo mesmo. Elas apenas acompanham o gozo, contingencialmente: não necessariamente.
Se for assim, não existe garantia do gozo. Essa garantia é uma construção imaginária de quem ainda não se apropriou do próprio gozo. O gozo fálico é aquele que precisa apresentar a ejaculação como prova. Isso pode ser visto em abundância no Facebook, que parece funcionar como um grande depositório de ejaculações. Produzem-se ejaculaçoes para ntregalas como prova de felicidade ao Outro: “Olha só! Eu gozei!”. É o funcionamento inaugurado pelo Twitter, esse puleiro em que pássaros irritantes anunciam titica (não é só isso que acontece nesses lugares digitais, mas a maior parte é isso, até onde eu posso ver).
A variação dita feminna dessa necessidade de garantia é a de uma possível conversa de salão de beleza. Uma mulher descreve sua experiência do gozo de uma maneira que deixa uma outra na dúvida: “Por que eu não sinto assim? Será que eu gozo?” Como essa última gostaria que a ciência finalmente encontrasse a confirmação de seu gozo!
É evidente que tudo isso ultrapassa a cópula, o homem e a mulher. Isso diz sobre a busca pela felicidade. Sobre a afirmaçao da subjetividade. E perguntaram se existe um meio termo entre uma coisa e outra, isto é, entre esse gozo fálico, determinado, e o gozo sem forma. Parece que não é necessário um meio termo. Não no sentido do justo meio aristotélico, como um ponto ideal entre dois extremos. Aí vale a dialética hegeliana. Talvez seja possível tomar as duas situações (a da garantia imaginária, e a da total falta de garantia) como momentos que, suspensos no movimento dialético, podem culminar na afirmação: “Sei que gozo!” ou “Sei que sou feliz!”, ou ainda “Sei que amo!”, sem a necessidade de autorização do Outro.
Alguém pode se instalar em uma das duas posições: a de entregar ejaculações, ou de duvidar da próprio orgasmo. A partir da teoria psicanalítica, poderíamos chamar um de obsessivo, e o outro de histérico. Ambos estão na lógica fálica. O outro gozo é a ultrapassagem disso. Ele implica um outro saber. A psicanálise pode encaminhar esse movimento, até o autorizar-se de si mesmo proposto por Lacan, porque a ejaculação não é garantia de gozo: os homens também fingem orgasmo, frequentemente para eles mesmos. Os neuróticos fingem sua felicidade e seu sofrimento, frequentemente para eles mesmos. Nisso, somos todos histéricos. Dizer “a histérica” e “o obsessivo”, é uma tentativa de validar a ordem fálica a partir da própria psicanálise, e é impedimento desta.

