Bonner and Hyde

28/08/2013

Sairei logo: preciso atravessar o rio antes das 9hs.

Você vai passar pelo centro?

Sim, vou.

Pode me deixar lá?

Claro.

***

Você se importa em dar uma parada aí, nesse banco?

Sem problema.

***

Dirige! Dirige! Vaza! Rápido!

Calma! Por que a correria?!?

Assaltei o banco …

Indecente

28/05/2013

A única indecência que a psicanálise reconhece é a indecência lógica.

“Dã!”

Aplauso

27/02/2013

Na Filosofia da Nova Música, o elogio de Schoenberg é feito a partir das categorias “falso” e “verdadeiro”. Haveria uma arte “falsa”, que seria mera imitação, e uma arte “verdadeira” que, no caso da música, seria propriamente “composição”. A “nova música” de Schoenberg, com seus procedimentos de composição que pretendiam negar a tonalidade e as formas canônicas seria composição de fato, verdadeira. Um dos pontos fundamentais da Teoria Crítica é a ideia da repetição que se tornou totalizante na manutenção do capitalismo como único modo de vida possível: a naturalização do capitalismo. A manutenção desse modo de vida se perpetua no que Adorno e Horkheimer chamaram de Indústria Cultural: isto é, mesmo em seus momentos de lazer, o trabalhador do capital está exposto à lógica que rege o seu tempo “produtivo”, convertendo essa lógica na única lógica possível. A arte perdeu sua função de provocação, de negatividade, servindo doravante para apaziguar as inquietações dos homens. A arte se transformou em “entretenimento”. Ela não aponta para novas possibilidades. O raciocínio de Adorno vale, para além do momento da composição musical, também para o momento da fruição. Parece que é nesse último que tudo se decide. A falsidade está colocada na adesão às formas tradicionais de composição, assim como está colocada no protocolo da sala de concerto. O público que aplaude de pé emitindo o “bravo” ocasional não age de forma diferente daquela do “rocker” que se atira no “mosh pit” emitindo o grunhido ocasional. Aliás, a música popular, como produto de alcance comercial muito mais amplo, é um alvo muito mais fácil para a crítica frankfurtiana. Nela, de fato, parece não haver composição nenhuma para além da colagem de clichês: o que se busca nos álbuns de música popular é a tranquilidade de harmonias e timbres muito bem conhecidos: a canção “de protesto” tem elementos da canção de ninar: como poderia fazer despertar? E, obviamente, existem os “desavisados”, tanto na sala de concerto, quanto na casa de shows. Na sala de concerto, eles se traem quando esboçam algum aplauso no meio de uma pausa mais longa, ou quando aplaudem efusivamente no intervalo entre os movimentos da peça. Nesse instante, os “peritos” se exaltam e denunciam a falta de educação daqueles. Mas, será que eles sabem por que guardam silêncio? Será que percebem algum sentido musical nesse intervalo? Será que em algum momento da história esse intervalo teve algum sentido na obra? Talvez, no tempo em que essas obras ainda faziam sentido, e os ouvidos estivessem quase que organicamente ligados às formas hoje consideradas tradicionais, o aplauso só aparecesse acompanhado da percepção do final de uma peça. Talvez, para os ouvidos de hoje, qualquer resolução da tensão dissonante acompanhada de silêncio provoque o comichão do aplauso. Mas, será que os “peritos” têm o direito de censurar os “desavisados” por isso? Por que aplaudimos, afinal? Por entusiasmo? Por que deixamos de aplaudir quando estamos entusiasmados? Por “polidez”? O aplauso em cena aberta não está permitido no teatro? Não está permitido durante as improvisações dos solistas na casa de jazz? Aplaude-se até mesmo o pouso de um avião! Deve ser cada vez mais raro o ouvido que percebe uma ruptura com a música que se executa quando um tsunami de aplausos o arrasta de volta ao seu lugar na sala. Este, não participa da exaltação censora dos “peritos”: talvez lamente silenciosamente esse estado de coisas e pense: “Silêncio! Que se escute, sob tudo isso, as engrenagens rangendo.”

As ideias não são inócuas … As palavras têm uma vida secreta (e os neuróticos obsessivos sabem disso muito bem!) Se a burrice for um tipo de timidez, trata-se da timidez que se intimida diante de ideias: de certas “regiões” do pensamento. Quanto maior a variedade de ideias com as quais fica-se à vontade, maior a possibilidade de pensamentos: maior a inteligência. Pensamentos arriscados, conversas difíceis. Existe um princípio aí: a fé na conversa. Uma fé platônica, talvez. A conversa embotada é uma conversa burra. A conversa entusiasmada, ela mesma produz a embriaguez da atividade frenética do corpo todo: a eletricidade que, em alta tensão, percorre todo o sistema nervoso, produzindo palavras, expressões, gestos. Contrações e dilatações na conversa com a parteira. E aí começa a distinguir-se a vida secreta das palavras que se encadeiam em uma conversa de “filósofos”, da vida secreta das palavras que fixam as ideias do obsessivo. Distingue-se também a conversa que, a partir da resistência e da fricção, produz. Percebe-se, então, que a timidez e a desenvoltura, em relação à burrice e à inteligência, têm pouco a ver com a timidez e a desenvoltura “na sociedade”. E, é sempre possível viver dos dois jeitos a vida secreta das palavras. “Inteligência” e “burrice” como estados afetivos … Spinoza …

Tipologia

08/02/2013

A burrice é um tipo de timidez; a inteligência, um tipo de desenvoltura.

Dito

14/11/2012

A gente diz, e a coisa escapa. Mas, ainda assim, dizemos. Até que …

É preciso distinguir “egoísmo” de “avareza”, “altruísmo” de “generosidade”. A generosidade está do lado do egoísmo e da abundância. O altruísmo está do lado da avareza e da escassez.

Para ler Nietzsche: o egoísmo é nobre; o que é vulgarmente chamado “egoísmo” é avareza, irmã do altruísmo.

Nobre

01/08/2012

Nobre não é “ser”: nobre é “tornar-se” … o que se é …

Metabolismo

25/07/2012

Não há distinção pelo consumo: o consumo iguala. Só a distinção — quando há — no que se produz.

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