Excesso

29/04/2009

E se um acidente metabólico fez com que em um determinado momento da eternidade esses animais fossem carregados com mais energia do que a necessária para comer, digerir, evacuar, copular, reproduzir …

Que outro animal come além da conta? Que outro animal, com exceção dos “humanizados”, engorda?

Mais uma vez penso na linguagem como jogo, que jogamos com esse excesso de energia.

Maneiras de dissipação desse calor: o gozo inumano e miserável de uma tentativa de retorno à animalidade bruta nas diversas compulsões;  a brincadeira enfadonha do sintoma; o jogo do desejo.

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Paráfrase

24/04/2009

Estrutura é mito, e o mito já é estrutura.

Para muitos restou apenas gozar no asfalto com os testículos pendurados no espelho retrovisor … E o noticiário fala de “Guerra do Trânsito”. Mas, o que há de glorioso no trânsito?!? Nele não circulam guerreiros ou heróis, mas estúpidos, vítimas e sobreviventes.

Autoria

20/04/2009

Autorizar-se é fazer-se autor.

Experiência

16/04/2009

A Filosofia não é um saber: a Filosofia é uma experiência.

Protocolo

11/04/2009

Tenho reparado que cada paciente tem um protocolo que inicia a sessão. Eu mesmo tenho o meu protocolo quando estou no divã. Será que esse protocolo já é parte do jogo?

Wittgenstein comenta sobre o jogo de xadrez: para definir quem vai jogar com as peças brancas ou com as peças pretas, um dos jogadores mantém cada um dos reis em seus punhos fechados, e o outro escolhe um dos punhos. A cor do rei que estiver encerrado no punho escolhido é a cor das peças com as quais ele irá jogar. Obviamente, a função do rei nesse “sorteio” não tem nada a ver com a função do rei na partida.

O sorteio não é parte do jogo.  Serve para demarcar quem é quem para que se inicie a partida. Assim podem ser pensados os “protocolos” que anunciam o início da sessão.

Linguagem não é comunicação.

Linguagem é jogo.

O nosso jogo humano, demasiado humano.

Jogo que se dá no órgão que partilhamos.

O corpo, para além do corpo próprio.