Mascarada

07/05/2009

O senso comum toma o ciclo “ereção-ejaculação-detumescência” como o gozo do homem. Nisso também ele está capturado pelo imaginário: trata-se apenas de um processo fisiológico. O gozo não tem nenhuma ligação necessária com isso. A rara experiência tântrica vai além disso e denuncia assim a “mascarada”: é possível que o processo ocorra, sem que haja gozo, ou que haja gozo independentemente desse processo (como atesta o êxtase dos religiosos que, não raro, chegam ao orgasmo em suas orações). Mas então o orgasmo que se convencionou chamar de “gozo” do homem pode ser também fingimento, semblante? Confunde-se mesmo, em nossa língua, gozo com a substância ejaculada, como se este fosse visível. As assim tomadas manifestações do prazer sexual não garantem nada, nem para o homem, nem para a mulher.

Se na conclusão do coito o homem constata o produto de seus testículos espirrado para fora do seu corpo e diz “gozei!”, a mulher pode perguntar “tem certeza?”. O homem que sabe que a mulher não existe e que por isso sabe que está em condição de igualdade com ela pode responder “talvez …”

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