Gozo (atualizado em 27/11)

09/05/2009

definição: gozo é efetivação.

proposição: do gozo não se escapa.

corolário: não existem “tipos” de gozo, mas modalidades de gozo. Na teoria lacaniana são essas as modalidades: gozo mítico, gozo do Outro, gozo fálico, outro gozo.

– O gozo mítico é o gozo da plenitude. Daí a aproximação de gozo e pulsão de morte. Para o humano, a plenitude só é possível na  morte. No entanto, não é possível experimentar esse gozo. Ele permanece apenas como o paradoxo de uma nostalgia do futuro. Algo que só será alcançado no momento em que não mais estivermos em efetivação. Estaremos efetivados de uma vez por todas, plenos e mortos.

– O gozo do Outro é a modalidade de gozo passiva, em que a efetivação que ocorre é a efetivação de um Outro. Penso no gozo que se efetiva nas compulsões.

– O gozo fálico é aquele que se dá a partir do desejo. Penso aqui na efetivação afirmadora da vontade de poder nietzscheana. Sendo assim, o que se afirma no gozo fálico é o desejo, conceito que pensamos ser homólogo aos conceitos de vontade de poder em Nietzsche, ou conatus, em Spinoza. O gozo fálico é alegria, júbilo, considerando ainda Spinoza.

Seguindo a recomendação nietzscheana, talvez nem devêssemos usar o termo “gozo”, mas somente “gozar”, já que gozo designa uma ação. Seria mais preciso ficarmos apenas com a forma verbal.

Para alguns causa escândalo que se fale em gozo para além do humano. Eu me sinto confortável com a idéia de que haja um gozo das ostras. No entanto, para estas não é possível o gozo fálico, simplesmente porque não consigo pensar um desejo das ostras. Desejar é a maneira de efetivação dos seres falantes na linguagem.

Abandonar-se à passividade do gozo compulsivo, anelando pela plenitude do gozo da morte, engendra somente o gozo de um Outro envolvido no circuito da compulsão. O júbilo nessa efetivação é miserável, minguado. Autorizar-se e servir-se do falo abre a possibilidade do gozar jubiloso.

ps.: parece haver outro gozo, que é de entrega, mas  não é do Outro, isto é, não é o gozo das compulsões. Trata-se do gozo da música, do gozo dionisíaco. Em suma, gozo trágico.

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