Chocolate

17/07/2009

Ele calcula cuidadosamente as mordidas: a quantidade de chocolate oferecida as suas papilas degustativas deve ser suficiente para que goze deste sabor e ao mesmo tempo garanta a permanência da barra pelo maior período que consiga. Seu ideal é que ela termine extamente no instante de sua morte, e garanta com isso que ele gozou na maior medida possível durante sua existência. Se a barra terminar antes que ele morra, restará um tempo de vida reduzido à espera resignada pela morte: tempo miserável. Se, no instante derradeiro, constatar a sobra de algum (ou alguns) dos pequenos quadriláteros que compõem a barra de chocolate, experimentará o amargor de ter gozado menos do que poderia em cada mordida avarenta que deu na vida.

Ela se lambuza inteira. Morde avidamente tentando ultrapassar-se no sabor do chocolate e, por maior que seja a mordida, não consegue saborear o tanto que imagina poder. Nenhum chocolateiro conseguiu, até agora, preparar a massa com sabor intenso suficiente para que ela possa dizer afinal que gosto tem o chocolate.

Ele tem medo de morrer. Ela, de enlouquecer.

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2 Respostas to “Chocolate”

  1. karen Says:

    “mas quais são as boas condições para a cura? Um fluxo que se deixa carimbar pelo Édipo, objetos parciais que se deixam unificar em um objeto completo, ainda que ausente, phallus, da castração, cortes-fluxo que se deixam projetar docilmente no espaço mítico, cadeis plurívocas que se deixam bi-univocizar, linearizar, suspender um significante, um inconsciente que se deixa exprimir…(…)… era ISSO que ISTO queria dizer?”

  2. karen Says:

    … afinal, qual é nossa doença? A esquizofrenia como processo? Ou a furiosa neurotização a que nos entregam…A nossa doença será a esquizofrenia como processo – ou o prolongamento infinito do processo no vazio, essa horrivel exasperação (a produção do esquizofrenico- identidade) ou a confusão processo com um fim (a produção do perverso artifício), ou a interrupção prematura do processo (a resignação do castrado)?

    Talvez a esquizofrenia nos cure da cura…
    p. 56 (Anti Édipo, Capitalismo e Esquizofrenia)


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