Timidez e desenvoltura

15/02/2013

As ideias não são inócuas … As palavras têm uma vida secreta (e os neuróticos obsessivos sabem disso muito bem!) Se a burrice for um tipo de timidez, trata-se da timidez que se intimida diante de ideias: de certas “regiões” do pensamento. Quanto maior a variedade de ideias com as quais fica-se à vontade, maior a possibilidade de pensamentos: maior a inteligência. Pensamentos arriscados, conversas difíceis. Existe um princípio aí: a fé na conversa. Uma fé platônica, talvez. A conversa embotada é uma conversa burra. A conversa entusiasmada, ela mesma produz a embriaguez da atividade frenética do corpo todo: a eletricidade que, em alta tensão, percorre todo o sistema nervoso, produzindo palavras, expressões, gestos. Contrações e dilatações na conversa com a parteira. E aí começa a distinguir-se a vida secreta das palavras que se encadeiam em uma conversa de “filósofos”, da vida secreta das palavras que fixam as ideias do obsessivo. Distingue-se também a conversa que, a partir da resistência e da fricção, produz. Percebe-se, então, que a timidez e a desenvoltura, em relação à burrice e à inteligência, têm pouco a ver com a timidez e a desenvoltura “na sociedade”. E, é sempre possível viver dos dois jeitos a vida secreta das palavras. “Inteligência” e “burrice” como estados afetivos … Spinoza …

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Uma resposta to “Timidez e desenvoltura”

  1. João G. Says:

    a timidez guarda o mesmo real das palavras?


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